Um post sobre curiosidades argentinas

Como disse ao escrever a primeira postagem, morei em Buenos Aires durante cinco meses. Foram tempos de observação e experiência, o que permite que (hoje) eu possa compartilhar aqui meus muitos aprendizados na capital argentina.

Inicialmente, devo contar que antes de chegar a Buenos Aires, eu nunca havia conhecido a Argentina – sequer outro país. A partir disso, ao decidir viajar, tentei buscar o maior número de informações que conseguisse, via internet, a respeito da cidade e dos hábitos argentinos, mas a realidade “visível” é bem diferente.

Dessa maneira, após estar em território portenho, decidi criar minha própria lista de curiosidades, a fim de dividir com vocês o que me deixou encantada ou, até mesmo, intrigada com Buenos Aires. Talvez os informes citados abaixo possam ser interpretados como pouco interessantes, mas, para mim, uma goiana facilmente impressionável, parecem bastante relevantes.

  • Argentinos fazem filas em pontos de ônibus ou estações de trem.
  • Conhecem elevadores de filmes “antigos”, cuja porta precisa ser puxada pelo próprio personagem? Então… Alguns prédios portenhos possuem elevadores semelhantes.
  • Bosques e praças são muito frequentados, principalmente durante os finais de semana ou feriados.
  • Nas frutarias, ao menos as que existiam próximas ao meu apartamento, os atendentes não permitem que pegue a verdura e/ou a fruta que preferir, ou seja, eles mesmos escolhem o item que você levará para casa.
  • Artistas de rua – cantores, mágicos, músicos – são comuns de serem encontrados nas ruas e/ou meios de transporte portenhos.
  • No Brasil, é fácil notar a presença de animais (cachorros, gatos) sem dono circulando, mas, na Argentina, não.
  • Existe grande diversidade de pessoas e culturas.
  • Os prédios, de preferência próximos ao Obelisco, são maravilhosos. A influência europeia é evidente em diversos pontos, como praças e monumentos.
  • Os meios de transporte são MUITO eficientes e modernos. Funcionam através de um cartão recarregável que é válido para trem, metrô e coletivo.
  • A variedade de pontos turísticos é enorme – e a de restaurantes e cafeterias também.
  • O patriotismo argentino é evidente. Creio até que sejam mais aficionados ao próprio país que os brasileiros.
Todas as fotos apresentadas neste post são AUTORAIS. 
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BATE-PAPO: distúrbios emocionais e alimentares

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Saúde mental é sinônimo de saúde física, mas a sociedade, em sua maioria, não percebe isso. Antes de qualquer coisa, não sou psiquiatra nem psicóloga, pelo contrário, sou apenas uma garota qualquer que acha válido discutir a respeito de um assunto banal que deveria receber maior notoriedade.

Para muita gente, depressão é drama e terapia, perda de dinheiro. Dessa forma, fica claro que vários indivíduos, apesar de serem bombardeados dia-após-dia com toneladas de informação, provenientes dos mais diversos tipos de tecnologia, ainda têm bastante o que aprender.

Solidão, bullying, insegurança com o próprio corpo e mais N motivos são capazes de gerar tanto distúrbios emocionais quanto alimentares – atualmente, bulimia e anorexia também são doenças comuns, devido ao fato de haver uma “ditadura da beleza” que constrói o estereótipo da garota ideal e rechaça todas aquelas que não se enquadram ao padrão. A partir disso, precisamos SIM falar e nos informar sobre saúde mental!

Aos críticos de plantão, os distúrbios alimentares podem estar associados à depressão, à ansiedade e a outras doenças mentais, o que agrava (ainda mais) a saúde física de um indivíduo. Como consequência, há alterações no comportamento, humor, sono, autoestima, peso e nível de energia.

OBSERVAÇÃO: muitas pessoas acreditam que apenas quem está isolado e/ou triste possui depressão ou qualquer outra doença do gênero, mas isso é um tremendo equívoco. Aqueles que demonstram felicidade nem sempre se encontram genuinamente felizes, afinal, é fácil mascarar a tristeza com palavras bonitas e meia dúzia de sorrisos.

Ademais, por experiência própria, irei citar 5 atitudes que podem ajudar a identificar que algo está “errado” – emocional e psicologicamente falando – com alguém próximo ou até com você mesmo:

  • Dificuldade de concentração.

Em geral, parece fácil ler um livro ou acompanhar uma conversa de elevador, mas, quando a mente não está saudável, a construção de paranoias requer toda nossa atenção. Fique ligado! É como uma teia de aranha, começa em um cantinho da parede e, se não houver cuidado, infesta a casa toda.

  • Insônia.

Dormir para esquecer não mais funciona. Aliás, as horas de sono foram substituídas por horas de pensamentos (geralmente, maus). A partir disso, o cansaço e as olheiras são “looks” comuns na vida de quem tem algum problema emocional.

  • Falta de ânimo.

Realizar uma tarefa cotidiana, como ir à escola ou passear com o cachorro, requer GRANDE esforço. Agora, a maior vontade é permanecer presa (o) à cama, olhando para o teto e remoendo ideias.

  • Nervosismo/Estresse.

O nervosismo/estresse impede que a pessoa durma, coma, estude, pense, […], viva de forma correta. Assim, esse é o fator mais importante da nossa pequena lista.

  • Medo.

Medo do agora, do amanhã. Medo do “e se?”. Medo de dirigir. Medo (absurdo) do vestibular. Medo dos pais não se orgulharem – mesmo que eles já se orgulhem. Medo de sair na rua, de ir ao cursinho. Medo de fazer novas amizades. Medo. Medo. MEDO.


Recadinho especial a quem tem (ou pensa ter) algum distúrbio emocional e/ou alimentar:

Primeiramente, sua vida VALE MUITO. Eu sei que incertezas e pensamentos ruins fazem com que você se sinta desanimada (o), triste e com a sensação de que nada – nunca – irá melhorar, mas é mentira. Existe alguém que se importa, por mais que você pareça estar sozinha (o), então, respire fundo, olhe em volta e desabafe. Entendo que você queira ser forte e guardar para si, porém digo que está tudo bem com a ideia de compartilhar suas dores e seus receios. Como eu, como seus pais, como seu melhor amigo e como qualquer outra pessoa do planeta, você é um ser humano e tem o direito de sentir – contudo, não deve deixar que os sentimentos desagradáveis te destruam. Você é maior que isso, ok?! Busque ajuda profissional e realize atividades positivas. Acredite: vai melhorar.

Um post sobre mudanças e aprendizados

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Decidi mudar para Buenos Aires em agosto de 2017. O objetivo inicial era estudar medicina, assim, contratei uma assessoria especializada no assunto e comecei com os trâmites da documentação, transformando, o que antes parecia ilusão, em pura e palpável verdade.

Parti para a Argentina cinco meses depois, carregando muitas malas e um coração repleto de expectativas. Deixei para trás um mundo familiar e, com um pouquinho de coragem, aceitei a oportunidade de estar “sozinha” em outro país.

Ao pisar em solo argentino, porém, senti um grande medo do fracasso. Parecia extremamente fácil encarar o desafio da faculdade e do novo idioma, mas isso quando eu ainda estava no aconchego do que sempre chamei de lar. A realidade, vista de frente, é bem mais assustadora.

O que eu poderia fazer? Desistir – logo no primeiro dia – ou aceitar a chance que me foi dada e seguir com o plano? Segunda opção, óbvio. Porque eu queria provar àqueles que duvidavam que eu seria capaz de conseguir ser forte o suficiente para estar longe de tudo e todos que conhecia – realmente fui, por cinco meses.

Com minha volta para casa, aprendi que não preciso estar 100% certa em todas as decisões que tomo e é válido recuar, ainda mais quando não estou feliz nem convicta a respeito da situação. Sou apenas um ser humano – errante – e não tenho que viver buscando aprovação alheia, pois apenas eu sei o que faz bem para mim.

A partir disso, recuperei meu antigo blog a fim de compartilhar o que vivi em território argentino e o que ainda viverei em qualquer outro lugar desse mundo incrível. Bem-vindos a minha vida!